No campo de jogo, o Vitória confirmou a supremacia estadual da década e ganhou o jogo. Fora das quatro linhas, todos perderam, a paz perdeu, a vida perdeu. A noite deste domingo ficou manchada de sangue, de balas, guerras, incêndio...
Dois jovens, ambos de 19 anos, foram assassinados após o jogo, nos bairros de Narandiba e Vale do Ogunjá, em Salvador. Eles torciam pelo Vitória e foram mortos por torcedores adversários enquanto comemoravam o triunfo do seu clube de coração.
Mas a violência é dos dois lados. Um adolescente de 14 anos de idade, torcedor do Bahia, foi atingido por um disparo feito por torcedores do Vitória na saída do estádio de Pituaçu e seu estado é grave. A "ironia" é que o garoto, nesta segunda-feira, iria fazer teste para jogar no Vitória...
Antes de começar o jogo, houve confusão, troca de insultos e pedradas recíprocas entre torcedores de ambos os clubes na entrada do Estádio Metropolitano Roberto Santos.
No Vale das Pedrinhas, após o jogo, uma mulher foi baleada após discussão entre torcedores num bar. No Imbuí, um carro com adesivo do Vitória foi incendiado por torcedores do Bahia, quando estes souberam do menino baleado.
E pensar que houve um tempo em que podíamos sentar ao lado do torcedor adversário na torcida mista...
Não tem jeito: enquanto a rivalidade for alimentada como questão de vida e morte, como questão de honra e orgulho, os resultados serão estes aí. Nos bares, nas ruas, na saída do estádio, nem mesmo carros parados (com adesivo de um time), ficarão imunes à violência.
Você que está lendo este texto, pense em quantos emails você recebe e reenvia alimentando o ódio, alimentando o preconceito, alimentando a guerra... Sim, você mesmo, pare para pensar agora, veja se vale a pena isso...
O ódio é alimentado até mesmo nos emails que são trocados. Um dos caminhos que sugiro, e tomara que não seja pregação no deserto, é que ninguém faça nem repasse emails que contenham ódio, violência e preconceito, e que uns fiscalizem outros, uns "patrulhem" os outros para evitarem isso.
Há muito tempo que eu não faço nem repasso email agressivo, preconceituoso (de cor, de classe, de opção sexual) ou de qualquer mensagem que alimente o ódio doentio. Chega de torcedor-doente. Precisamos de torcedores sadios. Precisamos de respeito mútuo.
Afinal, somos só adversários num esporte, mas não somos inimigos de vida nem inimigos de morte. A Bahia que se diz “a terra da felicidade” tem que provar isso. Do que adianta dizer ao visitante “Sorria, você está na Bahia”, se você não sorri?
Os baianos que celebram "alegria, felicidade", os baianos que arrotam o tempo todo "Sorria, você está na Bahia", também alimentam o ódio insano (tricolor odeia rubro-negro e vice-versa), essa guerra imbecil, esse matar-e-morrer a cada Ba-Vi. Você vai se isentar da culpa, mas será que você não é culpado? Será que NÓS não somos culpados?
Você haverá de dizer que esses estúpidos são uns poucos, mas mesmo que sejam uns poucos, acabam sendo muitos. Mas será que são poucos mesmo? Será que o ódio de morte em relação ao adversário também não contaminou você? Será? Ora, meu caro, está na hora de cada um levar a mão à consciência, pensar, repensar, refletir sobre atos, palavras, omissões.
Vamos parar de incitar a violência. Vamos parar de xingar o adversário. Torçamos cada um por seu clube e deixa o outro para lá. Como diz a música Prefixo de verão, da Banda Mel: "Eu queria que essa fantasia fosse eterna/ Quem sabe um dia a paz vence a guerra/ E viver será só festejar".Futebol é para fazer amigos. Futebol é saúde e vida. Não é guerra. Não é morte. Chega de torcedor doente. Precisamos torcer de forma sadia. Até porque hoje seu time ganha, amanhã perde, e tudo precisa ser levado na esportiva.
Portanto, entre nessa torcida, faça a sua parte, pregue a paz. Torça pela paz, jogue pela paz, levante a bola da paz.

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